EP.02 – O VAR DAS FINANÇAS
Valongo foi a vedeta dos noticiários de ontem e não pelas festas
de São Mamede ou de São Bartolomeu (que só se realizam a 17 e 24 de Agosto,
respetivamente).
Num daqueles brilhantismos dos diligentes serviços públicos que
nunca nos deixam pendurados três horas à espera na Segurança Social (para
percebermos depois que nos falta preencher um impresso e temos de voltar noutro
dia), a Autoridade Tributária avançou de peito feito para a estrada e, com a
colaboração do braço armado – a GNR –, fez valer o seu poder!
A chamada “Ação sobre Rodas” pretendia “intercetar
condutores com dívidas, convidá-los a pagar e dar-lhes essa oportunidade de
pagarem”, de acordo com a valente AT em Alfena. E acrescentou que “no caso de
não terem condições de pagar no momento penhoravam as viaturas”.
Veio-me à cabeça a imagem da bela Itália e de cidades como Nápoles
ou a região da Sicília, onde uma jovem resolve abrir uma pastelaria e passado
algum tempo surgem dois rapagões, de sorriso no rosto e barba rija, a informá-la
de uma dívida de proteção que a pobre coitada desconhecia ter.
Também eles a convidam a pagar e dão-lhe uma oportunidade
para fazê-lo, ajeitando simpaticamente a soqueira entre os dedos e brandindo o
bastão de basebol que escorregou do interior da gabardine durante o seu processo
de decisão.
Caso ela não consiga ou não queira pagar, eles estão em
condições de partirem tudo o que for frágil, ossos inclusive, informando que
voltarão mais tarde com um bidão de gasolina e um Zippo.
Mas não me compreendam mal!
A ação da AT não deve ser repudiada, muito pelo contrário!
Lembrei-me
de duas outras situações de fuga ao fisco onde esta medida poderia ser eficazmente
aplicada:
FUTEBOL
Sabemos como os jogadores gostam de ocultar os seus milhões
em contas offshore, ou esconderem os
ganhos obtidos com campanhas publicitárias em países com impostos mais baixos,
certo?
A AT podia fazer uma parceria com a FPF, e sempre que o
árbitro fizesse o tão bem coreografado gesto retangular de consulta ao VAR, o
fiscal analisava na hora as dívidas dos jogadores envolvidos e entrava no
relvado de calculadora na mão e GNR no coldre para convidá-los a pagar.
RESTAURAÇÃO
A outra parceria ideal seria com o McDonalds, fazendo do
Drive-Thru uma espécie de Check-Point,
o “Penhora-Thru”! Caso as dívidas à AT não fossem pagas entre sacos
de papel que se rasgam, bebidas entornadas e distensões musculares derivadas da marcação do código multibanco, confiscava-se o Happy Meal da criança, incluindo o brinde!
O Ministério das Finanças já tranquilizou o país, garantindo
que está a verificar o enquadramento legal que definiu esta ação, mas eu
poupo-lhe o trabalho:
Foi chico-espertice!
Mais nada!
Então, somos portugueses ou não?

Comentários
Enviar um comentário