CAMADAS DE OPINIÃO –
Opiniões sobre tudo e sobre nada.
EP. 01 - ELEIÇÕES EUROPEIAS E COMO FAZER CONTAS!
Eu sei que a matemática pode ser um desafio para todos aqueles que não gostam de ciências exatas e eu não sou nenhum mestre dos números, mas quando vejo os políticos comentarem resultados eleitorais dando mais piruetas do que um bailarino, sinto-me um verdadeiro Einstein!
Espero que tenham tido o cuidado de alertar os vossos filhos
no dia das eleições que as análises políticas aos valores alcançados nem sempre
traduzem a realidade dos factos, não vão eles para a escola clamar vitória depois de levarem três secos num jogo de futebol.
Vamos então às contas!
Do nosso universo de cerca de 10 milhões de portugueses pouco
mais de 3 milhões foram votar. A abstenção foi de 69,3 %, os votos em brancos chegaram
aos 4,3% e os nulos ficaram-se pelos 2,7%.
Arredondando as contas, foram cerca de sete milhões de
portugueses que, com uma agenda de fim-de-semana demasiado cheia ou com um dia carregado
de afazeres inadiáveis não quiseram, não puderam, ou não se lembraram de votar.
Isso significa que essas mesmas pessoas que não gostam de
políticos e de politiquices ou que não se reveem nas ideias apresentadas pelos
candidatos, deixaram nas mãos de pouco mais de 3 milhões as decisões que vão ser
tomadas na Europa e afetar a vida de todos!
Mas esse seria assunto para um outro episódio…
A reflexão de hoje é sobre a forma como os políticos empolam
os resultados eleitorais, quaisquer que sejam, e comecemos pelo topo da
cadeia, o Presidente que concluiu que Portugal continua a ser maioritariamente
um país pró-europeu!
PR:
Segundo o Professor Marcelo, a maioria dos portugueses são a
favor da Europa… pois…
A sério, senhor professor?
Estas foram eleições europeias, certo?
Cerca de 70% optou por não votar… 70 em 100! Posso ser que eu
não tenha a capacidade de analisar profundamente esta coisa das percentagens,
mas não me parece que se possa concluir facilmente que a maioria dos
portugueses seja a favor da Europa!
PS:
Seja retumbante, absoluta ou qualquer outra a palavra que queiram
verbalizar, 33,4 % corresponde a um pouco mais de um milhão de votos… num universo
de 10 milhões!
Um em dez!
Eu ficaria mais Seguro com 9, 8 ou 7… não sei, parece-me poucochinho!
PPD/PSD:
21,9% não seria um mau resultado se o universo fosse a massa de
gente que encheu a Praça do Marquês de Pombal quando o Benfica ganhou o
campeonato.
Infelizmente foram 21,9% em cerca de 30% dos portugueses,
ok?
Se calhar é mesmo um mau resultado…
BE:
9,8%!
Terceira força política em Portugal!
Parabéns, vão ter dois eurodeputados, já dá para jogar ao
UNO numa Europa opressora…
Embora tenham tido menos seguidores do que alguns vídeos de
culinária no Youtube, já ultrapassaram o número de visitantes do Rock in Rio
2018, e isso é um feito!
PCP/PEV:
Quem afirma que 6,9% de votos não é bem uma derrota deve achar que pisar um LEGO não é muito doloroso!
E assumir que quem fica a perder são os
trabalhadores portugueses é… bom, como é que posso explicar?...
93,1% dos 3 milhões de pessoas que foram votar não vos
querem como os Vingadores a lutar contra o Thanos, somando a esses os 7 milhões
que nem se deram ao trabalho de pôr o boletim na urna com uma cruz à frente do
vosso nome!
CDS/PP:
A mulher que se apresentou como a líder da única força
política capaz de fazer frente à geringonça continua convencida que está a
fazer um bom trabalho.
E que vai recuperar!
6,2%! Foram mais os portugueses a verem o Capitão América levantar
o martelo do que os que quiseram apostar em vocês!
PAN:
A grande surpresa das eleições conseguiu 5,1% dos votos!
Acima dos 150 mil eleitores!
E de repente Portugal entrou em alerta! Estas dezenas de milhares
de guerreiros do ambiente vindos do nada podem tomar conta do país e sitiarem o
Campo Pequeno para nos impedirem de ver touradas!
Os jornalistas ficaram espantados com este fenómeno, esquecendo-se
que eles já estão representados na Assembleia com um deputado… há quatro anos!
Outros partidos:
Quanto aos outros partidos deixo apenas uma mensagem: Bom esforço,
o que conta é a intenção!
E quanto à maioria silenciosa que realmente “venceu” e “esmagou
os partidos”, da próxima vez façam-se ouvir não no silêncio das ações, mas na
representatividade do voto.
É para isso que ele serve!
Desta vez deixaram o futuro de Portugal no contexto europeu
na mão de 3 milhões de portugueses.
Façam as contas!
E espero que gostem do resultado!

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