EP.03 – GERALT TELEVISIVO, NÃO ME FALHES!



EP.03GERALT TELEVISIVO, NÃO ME FALHES!

Há uns anos veio-me ter às mãos um jogo para PC que prometia ser revolucionário! Cético como sou, depois de me ter queimado com o segundo filme do Matrix e escaldado a sério com o terceiro, torci o nariz às críticas mais entusiasmadas e decidi julgar por mim mesmo…

Lá me deixei envolver nas aventuras de um certo bruxo carrancudo e pouco dado a conversa fiada, mais interessado na recompensa obtida por decapitar um Basilisco ou enfrentar uma vampira do que em conversas filosóficas.

A cada hora passada no jogo perdia-me na riqueza da paisagem, na disfarçada complexidade dum argumento aparentemente linear, e sentia-me cada vez mais ligado à personagem de Geralt de Rívia!

Estou a falar, claro, do jogo “The Witcher III: Wild Hunt”

Finda a aventura que me entreteve durante meses, e com os olhos marejados pela tristeza de não poder percorrer novamente as estradas de terra batida, fazer saltar a cabeça de salteadores ou cravar a espada de prata uma última vez nos monstros que eram o meu ganha-pão, eis que surge um farol de esperança!

A editora Saída de Emergência anunciou a publicação das obras que deram origem a um dos mais famosos jogos de sempre!

Tremi de emoção com a notícia, como uma criança à espera da prenda de Natal. A mesma editora que me deu a saga do Conan, Solomon Kane, Elric e as Crónicas de Gelo e Fogo preparava-se para me adoçar a boca com um novo rebuçado!

Comecei a comprar os livros à medida que saíam, mas estranhamente não os devorei num ápice! Preferi colecioná-los, somando-os à grande lista “para ler” que se acumula cá por casa, com um estranho receio de dedilhar as páginas e desiludir-me…

Teriam os livros o mesmo encanto do jogo? Sentir-me-ia novamente em Kaer Morhen a ver a Ciri treinar? Ou nas tascas rascas onde a população me olhava com desconfiança até eu dobrar a sua vontade?

Li o primeiro livro na semana passada, o “Terceiro Desejo” e…Uau!

O jogo refletiu todo o talento do autor da obra, Andrzej Sapkowsky!

Lá estava eu de novo a conversar com o poeta e bardo Jaskier, a seduzir (ou ser seduzido) pela encantadora Yennefer, a beber as minhas poções, a discutir com homens de grande poder mas com pouco senso, a cavalgar no Roach (Plokta), a lançar Sinais e a livrar o mundo de bestas (incluindo humanas)!

Só tenho a dizer isto:

Ainda bem que esta obra chegou desde a imaginação polaca até ao nosso país!

Ainda bem que eu ultrapassei as minhas dúvidas e lancei olhos neste texto.

Agora só espero que a versão televisiva esteja à altura dos livros e do jogo, e que o Henry Cavill seja o Geralt que eu conheço, e não um super-homem de cabelos brancos!
E caso tenhas dúvidas, Batman, o Geralt sangra…



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